“no fundo cor-de-rosa do chocolate eu te respiro”

Lendo poemas de Roberto Piva. Como esse poeta é maravilhoso! O Brasil desabando, mas ainda temos a poesia. Ufa! Estou com o livro Mala na mão & asas pretas, da coleção obras reunidas volume 02. Muitos pensamentos…

Hora de trabalhar o projeto de doutorado. Ser um pesquisador das obras de Piva, é isso que eu quero para mim.

 

abandonar tudo. conhecer praias. amores novos.
poesia em cascatas floridas com aranhas
azuladas nas samambaias.
todo trabalhador é escravo. toda autoridade
é cômica. fazer da anarquia um
método & modo de vida. estradas.
bocas perfumadas. cervejas tomadas
nos acampamentos. Sonhar Alto.
(PIVA, p. 111)

Visitar cemitérios… Por que não?

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O ano de 2013 foi de experimentos na escrita para mim. Escrevia com muita frequência artigos para um jornal de Rondonópolis e, na época, produzi um texto sobre o cemitério da Vila Aurora. A ideia foi refletir sobre a arte e cultura no local e estabelecer algumas questões a respeito do tema que nos causa tanto desassossego. A partir da vivência de ir ao cemitério para escrever um artigo, tornei-me curioso por saber mais sobre as necrópoles no Brasil.

Foi quando, em 2015, o site Carta Capital publicou a reportagem “Ao pó voltarás”, apresentando o trabalho de visitas ao cemitério como opção de roteiro cultural e, ainda descobri uma pessoa que, assim como eu, acredita que o silêncio dos cemitérios tem muito a dizer. Comecei então a acompanhar via Facebook, os trabalhos de Clarissa Grassi em realizar visitas ao Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e a Fundação Cultural de Curitiba, Paraná.

Ainda não tive a alegria de participar desse roteiro cultural, porém, admiro os trabalhos de Clarissa tanto em promover a interação dos sujeitos com os cemitérios como em suas atividades intelectuais de refletir as artes tumulares. Muita vida pulsa nos túmulos, nas flores e nas esculturas; a necrópole é o espaço dos afetos. Quando leio os textos dela ou vejo as imagens das visitas, tenho certeza que a afetividade está presente e é determinante nas homenagens.

Meus comentários, então, são de leitor, de alguém que mora no Mato Grosso e deseja muito participar das visitações. Ao refletir que existem vida e sinceridade nos passeios, o meu papel de entusiasta, admirador e curioso me movimentam para pesquisar e escrever sobre o trabalho dela.

O objetivo das visitas, segundo as informações na obra Guia de Visitação ao Cemitério Municipal São Francisco de Paula (2014), é resgatar as trajetórias e memórias de personalidades enterradas, possibilitando aos visitantes informações sobre as biografias, arquiteturas, geologias e simbologias nos túmulos. Destaco que os trabalhos da pesquisadora resultam em um olhar multidisciplinar, o que evidencia as potencialidades do cemitério, considerado como um patrimônio histórico, artístico e cultural de Curitiba.

O cemitério foi fundado no dia 1º de dezembro de 1854 na capital do Paraná e reúne, conforme as informações no livro mencionado, “um vasto acervo de esculturas e manifestações artísticas, abriga marcas e indícios da história da sociedade, política e economia paranaenses. Mais que ornamentação de túmulos, suas obras traduzem a evolução histórica de Curitiba, assim como simbolizam a visão de nossa população acerca da morte, revelada por meio da arte tumular”.

A escritora reforça a importância de compreender os cemitérios como uma organização que obedece aos mesmos critérios de hierarquização do espaço nas cidades. Dessa maneira, Clarissa afirma que os cemitérios são feitos sobretudo para os vivos, pois espelham a cidade que os produziu. Referenciando Phillipe Ariès (1914-1984), a pesquisadora problematiza que as necrópoles reproduzem em sua topografia a sociedade global, reunindo a todos em um mesmo recinto.

No dia 11 de março, a visita foi exclusivamente dedicada ao dia internacional das mulheres. Essa foi a primeira visita com projeto temático e teve como escopo homenagear as personalidades femininas. Trata-se de uma conquista, uma forma de aumentar a visibilidade das mulheres sepultadas e ressignificar a história de Curitiba. Membro da Fundação Cultural de Curitiba, Clarissa informa que as visitas acontecerão duas vezes ao mês, divididas em visita normal e visita temática – ligada a uma data comemorativa do mês.

Esse trabalho de incentivar um olhar cultural e histórico sobre a necrópole é importante para compreender algumas questões que envolvem a sociedade. Diante de várias notícias de cemitérios desprezados pelo poder público, Clarissa inova ao levar as pessoas para o local. A compreensão de que o espaço produz subjetividades e constrói narrativas, pode ser um passo para um diálogo sensível e, ao mesmo tempo, fortalecido para lidar com os sofrimentos.

Por meio de leituras e acesso à rede social, tenho acompanhado as informações sobre as visitações. As reflexões que podem ser desdobradas a partir do contato com o espaço público são inúmeras, mesmo que eu não tenha vivenciado o roteiro cultural. Há ainda muito a ser dito sobre o tema, mas, no momento, apenas posso avisar que as visitas são no período matutino, das 9 às 12 horas e que, para participar, é necessário informar o nome completo e o número da carteira de identidade por e-mail visitaguiada@smma.curitiba.pr.gov.br.

Para novos olhares

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A entrevista que o canal Literatorios fez com o escritor Julián Fuks ficou muito boa. Como é ótimo saber que na literatura brasileira contemporânea tem excelentes pessoas. Escritores com abordagens interessantes que buscam contar uma boa história, escrever um bom poema. Alguns com questões sociais outros mais voltados ao subjetivo, a poética apontando para vários e inesgotáveis sentidos.

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Meu querido transgressor… com João Silvério Trevisan. Sensacional!!! Preciso ler livros dele. Adorei esse vídeo, adorei a participação dele no documentário Assombração Urbana com Roberto Piva. Escritor muito interessante. Recomendo que assistam e que busquem ler os livros dele.

Aquarela e programação literária

Foi muito bom escrever sobre a artista Elys Zils. Gosto dos desenhos dela e eu também sou um apreciador de Surrealismo. Em 2015, tive a alegria de receber uma aquarela de presente. Esse trabalho foi inspirado no poema “Ramalhete de náuseas” do meu livro Solstício ao Luar. Vejam como os desenhos dela são maravilhosos:

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Nesse mês vai acontecer a Semana Sesc de Leitura e Literatura nas unidades Arsenal e Rondonópolis do SESC Mato Grosso. A programação está ótima! Destaco os eventos que eu quero muito participar no sesc arsenal:

– Lançamento do livro Sabichões – Marta Cocco (25/04 – 19h)
– Palestra com Jacques Fux e Marcelo Maluf – Mediação Divanize Carbonieri (25/04 – 19h30)
– Oficina de escrita com Julián Fuks (25 a 28/04 – 18h às 22h)
– O som que o vento conta (29/04 – 20h)

Haverá choques de horários entre a palestra, o lançamento e a oficina de escrita. É triste…
Tem outros eventos muito interessantes que merecem destaques. Trouxe apenas alguns.  Vale a pena conhecer a programação completa. Esse mês a agenda do sesc está muito boa. Vamos lá participar!

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A trajetória e os desenhos de Elys Zils

xilo Quijote

Em Indaial, interior de Santa Catarina, a artista Elys Regina Zils vem se dedicando ao desenho e à pintura como forma de aumentar as possibilidades de compreensão do sujeito e das subjetividades. Formada em Letras – Espanhol e mestra em Estudos da Tradução, ambas cursadas na Universidade Federal de Santa Catarina, tem publicações acadêmicas voltadas ao Surrealismo e à poesia visual.

Em 2001, cursou Desenho e Pintura na Fundação Indaialense de Cultura (FIC) sob a orientação do professor J. Nunes, um experiente artista que já expôs trabalhos em eventos nacionais e internacionais. Assim como o tutor, Elys dialoga com a poética surrealista e acredita na força da arte de mudar a realidade. Também estudou Xilogravura com a artista Kelly Kreis, em 2012. Essa dedicação em conhecer novas técnicas e métodos, faz de Elys um destaque nas artes em sua cidade.

De 2003 a 2005 participou de exposições coletivas dos alunos da FIC – Indaial; em 2007, da Exposição Arte Surrealista, com J. Nunes e os Novos Valores. Porém, foi apenas ano passado que teve a sua primeira exposição individual: Ser Vitae, sem dúvida um importante salto em sua carreira artística, pois foi um evento aberto ao público e aconteceu na Casa do Poeta Lindolf Bell, em Timbó.

Os trabalhos que compõem Ser Vitae são desenhos em nanquim e pinturas acrílicas que totalizam 10 imagens em Papel Canson A3. Segundo a artista, “a relação entre o corpo humano e a natureza presente nos desenhos chama o observador a pensar sobre o que pode estar no âmago das pessoas. Os ramos que se inscrevem nessas figuras humanas percorrendo o seu interior, o seu íntimo, fazem o espectador repensar a si próprio refletindo sobre sua natureza”.

A interação com o público é valorizada por Elys, que, sensível ao acesso de suas pinturas, explora também espaços que geralmente não são para a apreciação de arte. Algumas de suas obras, por exemplo, estão expostas na parede de uma conveniência, surpreendendo as pessoas que por ali passam em busca de bebidas ou comidas.

Sair do habitual e aumentar as possibilidades de manifestar o efeito poético é acreditar na poesia, nos processos de transformação, e romper com o senso comum, que vê a arte como desnecessária e inacessível. A liberdade para pintar e expor que a pintora desfruta leva em consideração o caráter social de seus trabalhos, e ciente dos preceitos de Breton (1986-1966), a imaginação e a liberdade são palavras fundamentais para a vida.

Elys já tem outra exposição agendada, dessa vez coletiva e em Florianópolis, no evento XI Salão Nacional Victor Meirelles. A abertura será dia 1º com visitação até o dia 30 de abril de 2017. Estarão expostos três desenhos da série Ser Vitae. O salão onde acontecerão as exposições e os encontros de arte está fechado desde 2008. Por isso, o Coletivo Artístico Nacasa teve a iniciativa de mobilizar essa programação cultural para a classe artística repensar o descaso e o silêncio de como a arte é tratada no país. Sobre isso, a artista desabafa: “esse descaso acaba levando muitos artistas ao ostracismo e desmotivação. Sinto falta muitas vezes de espaços para debate e trocas sobre a arte, o fazer artístico, e esses valores que fazem parte da formação de cidadãos mais reflexivos e atuantes”.

A pintora tem uma abordagem criativa e suas obras provocam reflexões sobre a percepção estética do ser e estar no mundo. Atualmente, Elys vem amadurecendo a proposta para uma nova série de desenhos. Experimentando diferentes materiais, alguns esboços já foram produzidos, porém a artista prefere não revelar detalhes. Diante disso, enquanto aguardamos os seus trabalhos inéditos, podemos curtir as imagens já prontas e acessíveis.

Solstício ao Luar

Estes são os últimos exemplares de Solstício ao Luar, minha querida obra publicada em 2013. Adquirindo o Sostício, escreverei uma dedicatória especial para o apreciador de meus poemas. É também uma oportunidade para quem tem o interesse em conhecer as poesias do livro.
O cotidiano brasileiro está massacrante, porém temos a poesia para nos lembrar que podemos ir além. Solstício ao Luar aguarda novas leituras, então por que não comprar hoje?
Entre em contato: rodrigoffbrito@gmail.com

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Mais poesias!

Decidi postar mais vídeos aqui. Enquanto ainda não publiquei os artigos, acho interessante manter atualizado a minha página. As declamações selecionadas são ótimas e balança o corpo.

A performance da Eliza Morenno (Poesia Viral) em “A Flor e a náusea” é excelente. Me emocionei quando assisti.
Thiago E, um dos poetas inseridos na antologia poética É agora como nunca, organizado pela Adriana Calcanhotto, declama o seu poema de uma maneira suave, gostei muito. Combinou com os movimentos do vídeo e metáforas do poema.

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